Ninguém quer morrer

Ninguém quer morrer

Ninguém quer morrer. Pode ser católico, kardecista, umbandista ou zen-budista… a idéia da morte é assustadora para quase todas as pessoas.
O despreendimento da matéria é um princípio religioso da Umbanda, como de quase todas as religiões, e a consciência de que a vida na carne é limitada e efêmera, e de que vivemos aqui como lagartas em casúlos à espera da transformação, igualmente compõe nossa teologia, mas nada disso nos tira o medo do desencarne. Isso lembra a cena do filme de Chico Xavier, quando o avião que ele estava começou a chacoalhar muito. Ele, mestre espírita, gritava como uma criança assustada, como gato a fugir de banho gelado, relutando com o impassível Emmanuel que o advertia.

Eu também tenho certeza de que a vida do outro lado é melhor e mais verdadeira. Sei que lá, e somente lá, entenderemos as razões de nossas dores, amores, desejos e pendores. Do outro lado tudo ganha razão e sentido. Não haverá frio, nem fome, nem sede, nem envelhecimento. Sem falar que meus queridos guias e parentes estarão lá com os braços abertos. Mas por enquanto eu quero é ficar por aqui mesmo. Tá bom demais aqui. Tenho mal-humores, unha encravada, contas pra pagar, um tanto de outros problemas, mas aqui tá ótimo e eu não quero ir pro outro lado agora não.
Acho salutar pensarmos nisso de quando em quando. Se é uma verdade que a energia lúgubre da morte causa aversão a outra verdade é que podemos morrer daqui meio minuto. E se não for daqui meio minuto será mais adiante, pois um dia, certeza, batemos as botas. Mas que essa reflexão não sirva para temer ou deprimir. Ao contrário, além de nos deixar mais preparados, pensar na morte deve servir para vivermos com mais intensidade, menos pudores e receios, e com a devida alegria de gratidão pela generosidade divina de estarmos vivos.
E também será bom incentivo para obedecer o médico que nos mandou fazer ginática e parar de fumar..
Sarava!

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Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
 Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres!
(Manuel Bandeira)
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Mensagem enviada para o email do Canto do Aprendiz (cantodoaprendiz@gmail.com), gostei e postei.
Quem souber o autor, favor mencionar nos comentarios 🙂
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2 opiniões sobre “Ninguém quer morrer”

  1. Bom dia, gente que adoro sem conhecer pessoalmente! Adorei este texto e no momento com as adversidades que tenho enfrentado as mensagens que vocês enviam tem também me ajudado. Obrigada beijos no coração de todos vocês.

    Rosangela.

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