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Exú é Exú

Exú é Exú

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Exú é faca que corta, afiada e pronta à finalidade. É brincalhão, mas com Exú não se brinca. Não se veja ele como se vê os espíritos da Umbanda, pois na Quimbanda tudo tem outra conotação. É outra polaridade. Não há nem comiseração e nem meios termos. Há, sim, fidelidade – e muita – mas sem qualquer tipo de apego. O único apego de Exú é à Lei divina, da qual é acirrado guardião.
A lida de Exú é feia. A eles cabe a escória do mundo espiritual, o lodo da humanidade. Não lhes seriam apropriados arquétipos de muita delicadeza. Toleram bastante a impertinência dos encarnados mas desde que essa não esteja lhes prejudiquem o trabalho, pois quando Exú tem um dever a cumprir ele cumpre. Não há ‘talvez’ com esses senhores.
Aprendi a ser diligente com Exú por ser essa uma força que vibra na neutralidade entre o humano e o divino. Aprendi a ser cautelosa com eles por terem personalidade muito forte. Aprendi a admirá-los por serem trabalhadores incansáveis dos Orixás e, por fim, aprendi a amar os Exús pelo tanto que já me ajudaram e ensinaram nessa vida.
Se não fosse Exú, entendam ou não os que são de outra religião, esse mundo já tinha virado um grande inferno há muito tempo.
Laroiê Exú!

Exú é o equilíbrio de tudo

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Abaixo transcrevo uma lenda que encontrei num livro de Pierre Vergé. Mesmo advinda de uma visão mítica, própria do Candomblé, a estória me parece bastante auxiliar para a compreensão de Exú também como arcano da Umbanda:

Havia uma estrada que dividia quatro fazendas, cujos fazendeiros eram amigos. Certa vez passou um homem por essa estrada, que sobre a cabeça usava um vistoso chapéu. Ao final do dia, os fazendeiros comentaram o fato. Um deles disse: “Viram o homem de chapéu preto?” E o outro: “Preto? O chapéu era azul!”. E o terceiro: “São cegos? O chapéu era verde!”. E o último: “Vocês estão loucos, eu vi bem e o chapéu era vermelho como sangue!”. E passaram a discutir. Sem que um conseguisse convencer o outro, acusaram-se mutuamente de mentirosos. Juntou gente para ver o tumúlto. Já estavam nas vias de fato quando lá de trás grita o tal homem: “Parem de brigar, estúpidos! Era eu quem usava o chapéu. Eu sou Exú, e gosto de causar confusão!”Parece boba, mas a lenda é instrutiva. Exú nada mais fez do que passar pela estrada com seu chapéu de quatro cores (a simbolizar os quatro elementos, os pontos cardeais, as quatro fases do processo alquímico…), indicando que domina as forças da natureza e situa-se no centro desse poder. Esse também é, em outras palavras, o significado da encruzilhada. Também confirmamos aqui que Exú, em sua completude, será sempre mistério, sobre-humano, para nós. Podemos mirá-lo em um de seus aspectos, ou em outro, mas seu todo permanecerá oculto.

Não foi Exú quem causou a confusão, os homens brigaram por si mesmos. Ele somente provou aos fazendeiros que se tivessem confiado um na palavra do outro teriam decifrado a verdade. Numa saudável lição de humildade, Exú devolveu aos homens sua própria torpeza. Eis um de seus muitos atributos. Por isso se afirma que ele é neutro e habita o ponto de equilíbrio entre o Céu e a Terra.

Exú é o equilíbrio de tudo.

Laroyê Exú

Homenagem do Templo Guaracy aos Exús e Bombojiras.

Saravá!!

Compartilho com vocês o video Catimbó, dirigido pelo Babalorixá Carlos Buby.

Obrigada querido Pai Buby por enaltecer nossa maravilhosa religião com sua arte. Que o seu cântico seja um grito sereno de paz e libertação para todos.

“O TÍTULO DA MÚSICA CATIMBÓ É UMA EXPRESSÃO POÉTICA, sem a pretensão de relacionar a música ao Culto do Catimbó. O Tema é uma homenagem aos EXÚS e BOMBOJIRAS, segundo a visão do Templo Guaracy. “OS CAMINHOS DA GUERRA JAMAIS TOCARÃO MEUS PÉS, ENQUANTO EU FOR LIVRE PARA CAMINHAR”. (Palavras de JAMATUM, Guardião da Espada, Libertador da “MOÇA TÃO BONITA”)

Carlos Buby